GIRLSTEAM leva ciência e tecnologia a jovens estudantes no Dia Internacional das Raparigas nas TIC
Logo pela manhã, o átrio começa a encher-se de vozes curiosas. Há quem olhe com atenção para um conjunto de LEDs, quem sopre com entusiasmo balões que irão dar vida a pequenos carros improvisados, quem tente perceber como é que um robô consegue “adivinhar” emoções. Ao longo do dia 23 de abril, o evento GIRLSTEAM trouxe ao Campus Oeiras do Técnico cerca de 200 estudantes do ensino básico para uma experiência prática de ciência e tecnologia, assinalando o Dia Internacional das Raparigas nas Tecnologias da Informação e Comunicação.
A partir das 10h, as atividades sucederam-se em diferentes bancas, todas com uma abordagem hands-on. Numa delas, construía-se um semáforo com recurso a programação em Arduino; noutra, explorava-se o design de jogos; mais à frente, um robô desafiava os participantes a reconhecer emoções. “Queríamos trazer uma amostra do que fazemos ao longo do ano e mostrar que eles próprios conseguem programar, construir e perceber como tudo funciona”, explicou Maria João Verdasca, responsável pelo projeto Engenharia para Todos. “E resulta — é muito visual, prende logo a atenção.”
A poucos metros, um grupo testava leis da física com carros movidos a ar. “Eles começam por prever o que vai acontecer e depois passam à prática. Assim conseguem perceber melhor conceitos como ação-reação”, contou Ana Pinto, monitora do Rob9-16. “Muitos ainda não conheciam estas leis, mas desta forma aprendem quase sem dar por isso.”
Também os núcleos de estudantes marcaram presença. No espaço do LISAT, construíam-se pequenos foguetes de papel. “É uma forma de mostrar o que fazemos e, ao mesmo tempo, incentivar os mais novos a interessarem-se por estas áreas”, explicou Ana Dias, estudante de Engenharia Aeroespacial. A reação dos participantes não deixava dúvidas: “Eles já sabem muita coisa — falam de foguetes, da NASA, fazem perguntas. Estão mesmo motivados.”
Noutras bancas, exploravam-se temas como dinâmica de veículos — com o FST Lisboa a explicar conceitos como atrito e suspensão —, alterações climáticas em formato de jogo com o CEGIST, e ainda a produção de energia através do hidrogénio, com o Técnico Fuel Cell. Diferentes áreas, diferentes abordagens, o mesmo objetivo: aproximar a ciência da experiência real.
Para muitas das participantes, esta foi também uma oportunidade de contacto mais direto com áreas que nem sempre surgem como primeira escolha. “Eu gostei muito de fazer o robô e de montar coisas. Faz-nos pensar no que podemos vir a fazer”, partilhou Alice Brito, de 11 anos, sublinhando a importância de exemplos femininos, como Ada Lovalace. “As raparigas não deviam sentir que não são capazes.”
A iniciativa teve igualmente um significado especial para as professoras que acompanharam as turmas. Sandra Saraiva, do Agrupamento de Escolas Aquilino Ribeiro, optou por trazer apenas alunas. “Ainda existe a ideia de que estas áreas não são para elas. Estes momentos ajudam a quebrar essa barreira e a mostrar que podem, sim, seguir este caminho.”
Ao longo das várias atividades, a curiosidade foi constante — nas perguntas, nas experiências e nas descobertas. “Acho que aqui conseguem perceber que não há áreas ‘de rapazes’ ou ‘de raparigas’. Há aquilo de que gostamos”, resumiu Catarina Lourenço, professora do 2.º ano da Escola Básica Sá de Miranda.
Também para quem dinamiza as atividades, o impacto é evidente. “É importante começarem a contactar com estas áreas desde cedo”, sublinhou Ana Moura Santos, docente do Técnico e responsável pelo projeto Inclusive Future. “Há uma fase em que muitas raparigas começam a achar que não são capazes, e iniciativas como esta ajudam a contrariar isso.” Foi precisamente neste contexto que ganhou destaque o eco-robô pintor, uma das atividades mais marcantes do dia, construído com materiais reciclados e capaz de desenhar de forma autónoma, mostrando de forma prática como sustentabilidade e tecnologia podem caminhar lado a lado.
Esta foi a 3.ª edição do GIRLSTEAM no Campus Oeiras. Entre experiências, perguntas e descobertas, ficou mais do que um dia diferente fora da sala de aula — ficou a ideia de que o lugar das raparigas na tecnologia não é exceção, é possibilidade. Como resumiu Alice Brito, no meio da azáfama das atividades: “As raparigas não deviam ter medo — também podem ser elas a mudar o mundo.”