PIC Challenge Day distingue projetos de estudantes de Engenharia e Gestão Industrial
A 2.ª edição do PIC Challenge Day reuniu, no dia 26 de junho, no Campus Oeiras do Instituto Superior Técnico, os cinco melhores projetos desenvolvidos no âmbito do Projeto Integrador do 1.º Ciclo (PIC) da Licenciatura em Engenharia e Gestão Industrial (LEGI). Perante um júri composto por representantes das empresas Kearney e Kaizen Institute, os estudantes apresentaram soluções para desafios reais, colocando à prova não só a qualidade técnica dos projetos, mas também a sua capacidade de comunicação e defesa de ideias.
Depois de uma primeira avaliação académica realizada ao longo do semestre, os trabalhos com melhor classificação foram selecionados para esta fase final. Para Tânia Varela, coordenadora da Licenciatura em Engenharia e Gestão Industrial (LEGI), esta edição evidenciou uma evolução significativa: “Notam-se trabalhos mais aplicados, mais colaborações com as empresas e maior profundidade, uma análise um bocadinho mais empenhada e mais profunda.”
A docente considera que este progresso resulta também de uma maior proximidade dos estudantes ao contexto empresarial. “Acabam por estar muito mais sensibilizados para o que é que, na prática, o mercado procura e para aquilo que eles podem potenciar no mercado”, explicou, destacando ainda que o contacto direto com profissionais externos beneficia simultaneamente estudantes e empresas. “Os alunos têm sempre a ganhar ao ouvir o feedback de quem está no terreno.”
Entre os cinco projetos finalistas, o júri distinguiu o trabalho desenvolvido por Joana Queirós, Rodrigo Silva, Luísa Miranda e Rita Costa, centrado na otimização do sistema de despacho de reboques da EMEL. A equipa desenvolveu uma plataforma capaz de reduzir o tempo médio de resposta a situações de estacionamento irregular de 34 para cerca de 8 minutos, recorrendo a modelos de otimização, análise de tráfego e algoritmos implementados em Python.
“O problema não é impedir que existam carros mal-estacionados, mas conseguir resolver essas situações muito mais depressa”, explicou Joana Queirós. O sistema desenvolvido tem em conta fatores como a localização dos reboques, o tráfego, os horários e o histórico de ocorrências, permitindo uma gestão dinâmica das operações. “Conseguimos reduzir o tempo médio em quase 75%, o que representa um impacto muito significativo.”
Para a estudante, o projeto representou um desafio exigente, mas também uma oportunidade para aplicar conhecimentos a um problema concreto. “É uma cadeira que exige muita autodisciplina e autonomia. No início foi desafiante, mas acabámos por construir uma solução de que nos orgulhamos.” O próximo objetivo, acrescenta, passa por apresentar o trabalho à própria EMEL e explorar o potencial da solução desenvolvida.
Mais do que uma competição, o PIC Challenge Day procura aproximar os estudantes da realidade profissional. A apresentação perante representantes de empresas constituiu, para muitos, um primeiro contacto com um contexto semelhante ao que encontrarão no mercado de trabalho.
Foi essa uma das mais-valias destacadas por Leonor Vasconcelos, uma das estudantes finalistas, cujo grupo apresentou um projeto sobre soluções sustentáveis para a logística de última milha em Lisboa. “Obriga-nos a preparar uma apresentação diferente daquela que fazemos para os professores. Estamos a apresentar uma proposta a pessoas do mercado e isso ajuda-nos a ganhar confiança.”
Na sessão de encerramento, o co-coordenador da licenciatura, António Ribeiro, felicitou todos os participantes e deixou um incentivo para que os projetos não terminem com a avaliação da unidade curricular. “Não pensem nisto como ‘hoje acabou o PIC’. Continuem a explorar estas ideias, porque às vezes é mesmo assim, da universidade saem projetos interessantes e depois vocês desenvolvem-nos e a vossa vida muda.”
Criado para reforçar a ligação entre o Técnico e o tecido empresarial, o PIC Challenge Day afirma-se como um espaço de valorização do trabalho desenvolvido pelos estudantes e de aproximação entre a formação académica e os desafios da indústria. Como resume Tânia Varela, a iniciativa nasceu precisamente dessa vontade de criar pontes: “É bom para os alunos, é bom para as empresas e todos têm sempre a ganhar com esta partilha.”