À descoberta da engenharia: como o Verão na ULisboa conquistou dezenas de jovens no Campus Oeiras do Técnico
São 9 da manhã e o Campus Oeiras do Técnico enche-se de mochilas, risos e uma pergunta que paira sobre todos os corredores: “o que é que vamos fazer hoje?” Durante duas semanas, o campus trocou os habituais estudantes de engenharia por outros, mais novos, que vieram descobrir se este é o caminho que querem seguir. Esta edição do Verão na ULisboa deixou várias marcas — sobretudo em quem já trazia, no bolso, o sonho de ser engenheiro.
Ao longo das duas semanas, alunos do secundário e do 3.º ciclo passaram pelo campus para experimentar atividades como “Tu Também Consegues Fazer Videojogos!”, “NanoSatélites”, “O Jogo da Cadeia de Abastecimento”, “Da Ideia ao Circuito: Explora o Mundo da Eletrónica”, “Sonic View” e o workshop “Lentes Mágicas”. Programaram jogos, criaram filtros para o Snapchat, soldaram placas eletrónicas e programaram sequências de LEDs — sempre acompanhados por monitores que são, eles próprios, alunos do Técnico.
Foi neste ambiente que Inês Madeira, de 14 anos, encontrou o que procurava. Chegou ao Campus Oeiras depois de não ter conseguido vaga na sua primeira escolha, mas rapidamente percebeu que tinha caído de pé. “Acho que os cursos que têm aqui são mesmo o que eu quero”, conta, entusiasmada. Entre programar um jogo ao estilo Pac-Man, criar filtros e programar sequências de LEDs, foi o circuito final que mais a surpreendeu: “Não sabia que isto era assim, e não sabia que eu conseguia fazer isto tão facilmente.” Está agora a ponderar seguir Engenharia de Materiais ou Engenharia de Som — e já planeia convencer o irmão a inscrever-se na próxima edição.
Também Tomás Tarouco, de 13 anos, chegou ao campus de Oeiras do Técnico por indicação de um amigo, cujo irmão já tinha passado pelo programa. O sonho de ser piloto de avião continua intacto, mas a semana abriu-lhe uma porta que não esperava: “Estou a conhecer coisas novas que eu não fazia ideia como é que se faziam.” Entre placas eletrónicas e linhas de código, percebeu que ter uma “opção B” pode ser uma vantagem — e que a engenharia aeroespacial, afinal, também lhe interessa.
Guilherme Ferreira, de 14 anos, descobriu o prazer de soldar. Já tinha escolhido a área de Ciência e Tecnologia para o próximo ano letivo, mas a soldadura foi, para ele, a grande revelação: “Gostei muito das atividades.” Entre programar jogos e criar filtros, Guilherme resume a semana numa frase simples, dirigida a quem ainda hesita em inscrever-se: “Iam ter uma boa semana. E também iam aprender muito.”
Diogo Batista, de 15 anos, veio por sugestão dos pais, ainda indeciso sobre a área a seguir. Acabou por escolher Ciências e encontrou no Verão na ULisboa uma confirmação inesperada. A montagem de uma placa capaz de emitir som e luz foi, para ele, o momento alto da semana: “Foi o que eu gostei mais desta semana inteira.” Mais do que a técnica, Diogo leva consigo as amizades que não esperava fazer: “Fiz muitos amigos aqui.”
Já Gonçalo Oliveira, com apenas 12 anos, trouxe uma motivação pouco comum para a sua idade: já anda, ano após ano, a visitar universidades para perceber do que mais gosta. Este ano, foi a criação de um jogo — com paredes, inimigos e um personagem que aprendeu a controlar — que o conquistou. E há já um benefício muito prático: “O meu pai trabalha com computadores e já lhe consigo dar uma ajudinha por causa deste workshop.”
Por trás das duas semanas esteve uma equipa composta, na sua maioria, por estudantes do próprio Técnico. Maria Moura e Inês Maia, ambas do 2.º ano do Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, assumiram este ano o papel de monitoras centrais, depois de terem passado por funções de monitoras de grupo em edições anteriores. Coordenaram candidaturas, organizaram a logística e acompanharam uma equipa de 4 monitores de grupo e 8 monitores de atividade — 26 pessoas ao todo.
No total, passaram pelo Campus Oeiras 53 participantes na semana do secundário e 80 no 3.º ciclo — número que esgotou as vagas disponíveis. Para Maria e Inês, a diferença entre os dois públicos é clara: os mais novos entusiasmam-se com o lado lúdico das atividades, enquanto os alunos do secundário procuram, sobretudo, confirmar — ou descartar — um caminho vocacional. “Talvez tínhamos um ou outro que já tinha a certeza: quero mesmo vir para um curso destes”, resume Maria.
O balanço da experiência, para as duas monitoras, vai muito além da logística. “No final da semana, ficamos super contentes de os ver sair todos felizes com os diplomas”, partilham, destacando o quanto a gestão de pessoas e de imprevistos as fez crescer. É, dizem, o mais próximo que tiveram até agora de uma verdadeira experiência de trabalho — com responsabilidades reais e uma equipa para coordenar.
Entre placas soldadas, jogos programados e amizades que nasceram em poucos dias, o Verão na ULisboa despediu-se este ano com um resultado claro: para Inês, Tomás, Guilherme, Diogo e Gonçalo, a engenharia deixou de ser apenas uma palavra distante — passou a ser, também, uma possibilidade concreta para o futuro.