Jogália estreia-se no Campus Oeiras e reúne comunidade em torno dos Esports e do gaming
Entre os dias 9 e 12 de julho, o Campus Oeiras do Instituto Superior Técnico recebeu a primeira edição da Jogália, uma maratona dedicada aos Esports, ao gaming e aos Trading Card Games (TCG), que reuniu estudantes, jogadores, organizações e entusiastas de todo o país num ambiente marcado pela competição, aprendizagem e convívio.
Organizada pelo LAGE2 – Lab. de Apoio à Gestão de Actividades Extracurriculares dos Estudantes, em parceria com a NexEra, a iniciativa nasceu da vontade de recuperar o espírito das tradicionais LAN parties, criando um espaço onde a competição presencial se alia à partilha de conhecimento e ao fortalecimento da comunidade ligada aos videojogos.
Durante quatro dias, o Campus Oeiras recebeu torneios de Rocket League, EA Sports FC, Valorant, Counter-Strike 2 e League of Legends, bem como cerca de dez bancas dedicadas aos Trading Card Games, sessões de Dungeons & Dragons e Warhammer dinamizadas pela Templars Arena, demonstrações, workshops e palestras dirigidas aos participantes.
A primeira edição contou com cerca de 200 a 250 participantes inscritos, mais de dez bancas de TCG, o apoio de parceiros como a HP (através da marca HyperX) e a Exad — que ajudaram a equipar as duas arenas de computadores do evento — e uma média de 100 visitantes por dia, números que superaram as expectativas da organização para um evento realizado pela primeira vez.
Para Nuno Antunes, coordenador-geral da Jogália e estudante do 2.º ano da licenciatura em Engenharia de Telecomunicações e Informática, o principal objetivo foi proporcionar uma experiência diferente daquela que caracteriza a maioria das competições atuais. “Queríamos recuperar o conceito das LAN parties, em que as pessoas jogam lado a lado, convivem e vivem o evento presencialmente. Mais do que competir, queríamos criar um espaço onde a comunidade pudesse estar junta.”
A dimensão da iniciativa foi reforçada pela parceria estabelecida com a RTP Arena, responsável pela transmissão das semifinais e finais dos torneios, que chegaram a somar 8,8 mil visualizações num único dia — números que a própria organização considera uma das maiores conquistas desta edição.
Segundo João Lobato, coordenador de marketing da Jogália e estudante do 2.º ano do mestrado em Engenharia Informática e de Computadores, o evento foi crescendo à medida que a equipa percebia o potencial da ideia inicial. “Começámos por pensar num torneio de Esports, mas percebemos rapidamente que havia potencial para criar algo muito maior. Só o facto de termos chegado à RTP Arena e atingido estes números já não estávamos à espera — foi, sem dúvida, a maior conquista desta primeira edição.”
Além da competição, a organização procurou criar um evento capaz de reunir diferentes comunidades ligadas ao gaming. A integração dos Trading Card Games, das demonstrações e das restantes atividades permitiu alargar o público e proporcionar experiências para participantes com interesses distintos, ainda que a própria equipa reconheça que esta vertente tem margem para crescer numa próxima edição.
Para Pedro Jesus, fundador da Nexera, esta aposta responde a uma necessidade sentida pela comunidade nacional de Esports: “Hoje em dia muitas competições acontecem quase exclusivamente online. Queremos voltar a criar experiências em que as pessoas estejam juntas, convivam e vivam o evento presencialmente.”
Depois de vários anos a organizar eventos na área — incluindo a produção do palco principal da DreamHack Valência, em Espanha —, Pedro considera que a parceria com o Instituto Superior Técnico permitiu dar um salto qualitativo ao projeto. “Esta foi a maior edição que organizámos. Agora queremos crescer, trazer mais parceiros e mais atividades.”
A preparação da Jogália constituiu também uma oportunidade de aprendizagem para dezenas de estudantes e colaboradores, que estiveram envolvidos em áreas como marketing, comunicação, logística, produção e relações com parceiros.
Foi o caso de Sara Luz, estudante de Marketing na Universidade Católica Portuguesa e colaboradora da equipa de marketing do evento, que destaca o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos meses. “Construímos tudo praticamente do zero e agora ver o evento a acontecer é muito gratificante.”
Apesar de não estar ligada ao mundo dos videojogos, Sara afirma que a experiência lhe permitiu descobrir uma realidade diferente e conhecer de perto a comunidade do Campus Oeiras. “Fiquei surpreendida pela positiva. Encontrei uma comunidade muito próxima e um ambiente muito acolhedor. As pessoas são muito fáceis de falar e nota-se um verdadeiro espírito de entreajuda.”
Do lado dos participantes, muitos vieram pela primeira vez sem grandes pretensões competitivas. É o caso de Miguel Rodrigues, da equipa Rising Sun, que soube do evento através de amigos ligados à organização. “Foi mesmo pela diversão. Nem nunca tínhamos jogado juntos — o nosso primeiro jogo enquanto equipa foi às 9 da manhã”, conta, sem esconder que o objetivo era simplesmente competir e conviver, sem expectativas de troféu. Jogador de League of Legends há mais de uma década, Miguel destaca o gosto por acompanhar o nível dos profissionais e a oportunidade de experimentar essa vivência mais de perto, ainda que só ao nível nacional. Morador nas imediações do Campus Oeiras, onde costuma estudar, deixa também uma referência aos alunos interessados na área: o Técnico oferece, no mestrado em Engenharia Informática, uma especialização dedicada a jogos.
Feito o balanço da primeira edição, a organização já identifica pontos concretos a melhorar. Um dos ajustes em cima da mesa é a alteração do calendário de torneios: o League of Legends, que registou menor adesão presencial no domingo, poderá trocar de dia com o Valorant, e a equipa pondera ainda retirar o FIFA do cartaz, substituindo-o por outros títulos com maior procura junto dos alunos do Técnico. Também a área de TCG deverá ganhar mais autonomia face aos Esports, deixando de funcionar como complemento para passar a atrair público próprio.
Outro desafio identificado prende-se com a afluência de visitantes ao Campus, a organização quer criar, para a próxima edição, mais incentivos à presença física — desde consolas para experimentar a parcerias com empresas de atividades interativas — de forma a distinguir a experiência de assistir presencialmente da simples visualização das transmissões online.
Com a parceria da RTP Arena já estabelecida e o interesse manifestado por vários participantes em regressar no próximo ano, a Jogália deixa, nesta primeira edição, as bases lançadas para um evento que a organização quer ver crescer em escala e programação nos próximos anos.