Ciência e Tecnologia

Rob9-16 encerra Férias de Verão com projeto dedicado às energias renováveis

Rob9-16 encerra Férias de Verão com projeto dedicado às energias renováveis

Depois de quatro semanas dedicadas à descoberta da engenharia e da robótica, o programa de férias do Rob9-16 terminou com o projeto “Energia Viva”, que decorreu entre 20 e 24 de julho, desafiando os participantes a desenvolver um sistema robótico capaz de seguir automaticamente a luz solar para maximizar a produção de energia.

Ao longo da semana, crianças e jovens dos 9 aos 16 anos combinaram programação, eletrónica, modelação 3D e sustentabilidade para construir um “girassol tecnológico”, equipado com sensores de luminosidade, servomotores, um painel solar e um ecrã onde era possível acompanhar, em tempo real, a tensão produzida e a direção da maior incidência de luz.

Como é habitual no Rob9-16, o projeto foi complementado por diversas atividades práticas e lúdicas. Entre desafios de física, experiências científicas, modelação 3D, programação com Arduino e até um foguetão impulsionado por uma reação química, os participantes tiveram oportunidade de aplicar conceitos teóricos de forma imediata, tornando a aprendizagem mais dinâmica e divertida.

Para Tomás Ferreira, de 14 anos, a experiência superou largamente as expectativas. “Adorei, gostei muito mesmo do projeto que estamos a fazer.”

Já interessado em seguir Ciências e, mais tarde, Engenharia, considera que esta forma de aprender faz toda a diferença. “Aprendemos a teoria e depois fazemos logo a prática. Na escola não é assim e acho que deveria funcionar mais dessa forma.”

Tomás destacou ainda a proximidade com os monitores, um dos aspetos que mais valorizou durante a semana. “Gosto muito desta proximidade entre educador e aluno. Dá muito mais vontade de vir.”

Também Emma Pontes Geraldes, de 14 anos, participou pela primeira vez no Rob9-16. Apesar de destacar o Taekwondo como uma das atividades favoritas da semana, considera que o projeto de robótica foi igualmente interessante e não hesitaria em recomendá-lo. “As atividades são giras e interessantes.”

Entre os participantes mais novos, Luca Tocha, de apenas 9 anos, revelou entusiasmo pelas diferentes experiências realizadas ao longo da semana. “Aprendemos a trabalhar com Arduino, fizemos um foguetão e também o desafio de lançar um ovo sem o partir.”

Quanto ao projeto principal, explica com facilidade o seu funcionamento: “É um painel solar que segue o Sol para conseguir captar melhor a energia.”

Uma experiência que vai além da robótica

Para os monitores, esta última semana representou também o culminar de um mês intenso de trabalho.

Afonso Gonçalves, estudante da Licenciatura em Engenharia Eletrotécnica e um dos responsáveis pelas atividades, explica que este foi um ano particularmente especial, “foi o primeiro ano em que realizámos quatro semanas consecutivas de atividades.”

Ao longo do mês, os participantes construíram um carro controlado por Wi-Fi, um cofre inteligente, uma cidade inteligente e, por fim, um seguidor solar, explorando diferentes áreas da engenharia.

Além dos projetos tecnológicos, foram introduzidas novidades como aulas de Taekwondo e sessões de sensibilização para a higiene oral, procurando proporcionar uma experiência mais completa e equilibrada.

Segundo o monitor, o objetivo passa por mostrar que a engenharia não acontece apenas em frente a um computador. “É importante que percebam que também há espaço para fazer desporto, cuidar da saúde e trabalhar em equipa”, afirmou.

Recorde de participação

A edição deste verão ficou ainda marcada pelo maior número de participantes de sempre.

Ao longo das quatro semanas, cerca de 90 crianças e jovens passaram pelo Rob9-16, preenchendo praticamente todas as vagas disponíveis. Para Afonso Gonçalves, a adesão superou as expectativas. “Não estávamos à espera de conseguir encher praticamente todas as semanas.”

O feedback recolhido junto dos participantes e respetivas famílias tem sido bastante positivo, refletindo o equilíbrio entre aprendizagem tecnológica, atividades práticas e momentos de convívio.

Um mês a despertar futuros engenheiros

Ao longo das quatro semanas, o Rob9-16 voltou a afirmar-se como muito mais do que um programa de férias. Entre desafios de programação, eletrónica, impressão 3D, física, robótica e trabalho em equipa, dezenas de jovens tiveram oportunidade de contactar, de forma prática, com diferentes áreas da engenharia, descobrindo novas competências e, em muitos casos, reforçando o desejo de seguir este percurso académico.

Para Afonso Gonçalves, este contacto precoce pode ser determinante. “Há muitos participantes que já vêm com um grande interesse pela engenharia e estas experiências ajudam-os a perceber melhor qual é o caminho que querem seguir.”

Mas a aprendizagem acontece nos dois sentidos. “Nós também aprendemos muito com eles. Muitas vezes têm ideias diferentes, fazem perguntas inesperadas e obrigam-nos a pensar de outra forma”, acrescenta Afonso.

Terminada mais uma edição das Férias de Verão, fica o balanço de um mês marcado pela curiosidade, criatividade e vontade de aprender. Quatro semanas, quatro projetos distintos e dezenas de jovens que regressam a casa não apenas com um robô ou uma maquete construída pelas próprias mãos, mas também com uma visão mais próxima do mundo da ciência, da tecnologia e da engenharia.